terça-feira, 3 de abril de 2012

Empoderamento?!...

Nossa última flor do Lácio inculta e bela ressente-se uma vez mais.
[...]
Que história é essa de empoderamento? Que é isso (se é que há isso...)? Donde vem?
É... Bem perguntado. Comecemos pelo "donde vem". Vem daqui, ó...: empowerment. Sim, para nossa (surpresa?...), vem-nos duma equivocada e imprópria incorporação invasiva, do inglês.

Com efeito, naquele vernáculo, empowerment means "the act of conferring legality or sanction or formal warrant". Que, em bom português, traduz-se por: Empowerment significa "o ato de conferir legalidade ou sanção ou garantia formal". É essa a significação originária, sem por nem tirar.
A significação que lhe está sendo conferida em cultura lusofônica, contudo, é diversa, estranha.
[...]
Nosso vernáculo ainda não o consigna. Veja o que diz a Academia Brasileira de Letras: não há.
Desafortunadamente, todavia, o vernáculo português em base europeia já o incorporou. Veja-se, nesse sentido, o que diz o Dicionário Priberam Universal:
    (empoderar + -mento)
    s. m.
    Acto ou efeito de empoderar ou empoderar-se.
2) empoderar (em- + poder + -ar)
    v. tr. e pron.
    Dar ou adquirir poder ou mais poder.

Assim… O que está sendo construído, com base nesses elementos semânticos, dentre outros, é meticulosa articulação equivocada por parte de certos grupos feministas. Ao dizer equivocada, é bom esclarecer: o que se dá, na prática (desses tantos grupos aqui ditos "equivocados") é que se estão batendo por uma alegada causa contra um inimigo que esses grupos mesmo constituíram: o homem e tudo aquilo que se diz homem ou a ele se associa foi estabelecido, a priori, axiomaticamente, como algo a ser, se não combatido, quando pouco contestado e competido.
Logo, a questão é mais profunda do que se vê em análise ligeira, e não admite exame superficial. Se alguém imbuído de ânimo investigativo puramente psicossocial (portanto, sob a óptica apenas científica, nos moldes bacon-cartesianos) debruçar-se sobre o caso, esse alguém já encontrará abundante material, que lhe permitirá chegar a não menos abundantes conclusões. Tudo bem direitinho, segundo os cânones da dita metodologia. [...] Porém, se for deitado um olhar espiritual sobre esse mesmo cenário (o que suscita, de plano, narizes torcidos por parte dos defensores autointitulados puramente científicos...), um novo panorama, mais abrangente, perfeito, surgirá...